sábado, 27 de janeiro de 2018

A MALDIÇÃO DO DIAMANTE NA LUNDA TCHOKWE

A MALDIÇÃO DO DIAMANTE NA LUNDA TCHOKWE


Algumas pessoas acreditam que a Nação Lunda Tchokwe é abençoada com muitos recursos naturais, onde o diamante é 75% a maior reserva do planeta no seu subsolo, para além de outros minerais e metais preciosos timidamente como: Ouro, Cobre, Urânio, Coltan, Petróleo (estudos e investigações em curso), etc. Existe enormes floresta tropicais classificadas como as 4º do mundo entre a Lunda Sul e o Moxico, disto o REINO LUNDA TCHOKWE  deveria se orgulhar, não fosse a colonização, primeiro dos Portugueses e agora de Angola.


No entanto, apesar desta abundância de recursos naturais, onde o diamante é visível, a maioria da nossa população vive por de baixo de menos de 0,30 cêntimos/USD dia e em outros casos nem por isso, não existe nada, como nas aldeias onde a pobreza absoluta tomou conta das famílias e vitimas de abusos e instabilidade por parte das forças da ordem e segurança que aterrorizam as sanzalas.


O próprio processo de exploração do diamante é devastador do meio ambiente, e são os pobres ou os que vivem nas zonas rurais de exploração é que são mais afectados, porque as conseqüências são de longo termo, as doenças com a poluição do meio ambiente são adversas e não existem hospitais no interior da Lunda Tchokwe para acudir esses casos nem a capacidade econômica para as pessoas afectadas serem evacuadas para Malange ou Luanda.


Os efeitos causados pelas empresas diamantíferas que operam na Lunda Tchokwe têm resultados em grandes catástrofes preocupantes em termos da deterioração do meio ambiente e da violação continuada dos direitos humanos, as populações das zonas de extração do diamante são obrigadas a deixarem as suas terras sem qualquer indemnização nem gratificações ou de usufrir de serviços básicos, as mesmas não se preocupam com a erradicação da pobreza ou da redução do abismo que existe entre a maioria dos pobres Tchokwes que vivem do nada.


A economia de Angola depende 83% do Petróleo e do Diamante, esta é a pura realidade que muitos angolanos e a comunidade internacional conhecem muitíssimo bem, o que não conhecem muitíssimo bem é como vive o povo Lunda Tchokwe na miséria extrema e absoluta.


Em 2003, cinco países na região da África Austral estavam classificados como os maiores produtores de diamantes do mundo – Angola, Botsuana, África do Sul, Republica Democrática do Congo e a Namíbia, com um valor combinado de 5.8 mil milhões de  dólares naquele ano. A Lunda Tchokwe durante o conflito armado angolano foi palco de guerra e do enriquecimento pessoal de muitos da elite que governa Angola ainda hoje, Ministros, Generais, Filhos do Ex - Presidente José Eduardo dos Santos e de outros militantes do MPLA.


O Reino Lunda Tchokwe, enquando Colônia de Angola nunca esteve envolvida em conflitos militares direitamente, foi obrigada e forçada a participar em conflito civil angolano e sua terra também envolvida num processo que não lhe dizia respeito com um pesado fardo de muitos tchokwes mortos desde 1975 até 2002 na guerra do MPLA e UNITA e ainda hoje continuamos assistindo assassinados por tudo que é canto do Protectorado Português.


O maldito diamante ceifou a vida de mais de 500.000 pessoas durante a guerra civil angolana entre o MPLA/Governo e a UNITA. Metade das pessoas que pereceram suas vidas eram naturais e filhos Lunda Tchokwe.


Se, entre 1992 á 2004, existiam mais 400.000 garimpeiros ilegais no interior da Lunda Tchokwe provenientes na sua maioria da RDC e países da África do Norte, o certo é que hoje o numero de ilegais subiu para mais de 800.000 pessoas, porque a própria Policia de Emigração tem sido a conivente.


Denuncias vindas das localidades de Camaxilo, Cambulo, Lucapa, Calonda e algumas vezes do Cuango apontam o síndrome de que a Policia de Emigração e fronteiras, Comandantes de Unidades Policiais entre outros, cobram 1.000,00 á 4.000,00 USD a ilegais da RDC e de África do Norte e ao mesmo tempo, protegem os mesmos nas zonas de Garimpo e dividem o resultado da venda dos diamantes obtidos no garimpo.


A dilapidação e a mineração ilegal não contribuem para o bem – estar do povo Lunda Tchokwe, nem ajuda na economia local, trouxe consigo outros males a sociedade; prostituição juvenil, doenças como do HIV SIDA, assassínios de pacatos cidadãos, a criminalidade aumentou vertiginosamente e a degradação do meio ambiente também, tudo sob olhar do “GOVERNO COLONIAL DO MPLA”.


Só com um Governo Próprio, sob a bandeira Lunda Tchokwe, será possível corrigir estes graves erros. Só com a nossa autodeterminação que é nosso direito natural legitimo divino, histórico e jurídico poderemos realmente corrigir e estancar a emigração ilegal, promover a justiça e o progresso social.


Sabemos que o senhor José Eduardo dos Santos e o MPLA cumpriram aquilo que prometeram no dia 9 de Março de 2012 no Dundo, de que o diamante da Lunda não servia para nada, nem para construir a estrada entre Malange e o território. A prova ai esta, já não existe mais a estrada entre Malange e a Lunda, simplesmente desapareceu por vontade do MPLA, mas os diamantes continuam a ser explorados no rio LULU cuja ponte desabou no seu afluente o rio Cacuilo...


O nosso povo deve sair na manifestação dia 24 de Fevereiro de 2018, obrigatoriamente para exigirmos do governo de Angola:

§  A descolonização, por via da autonomia;
§  A reparação das estradas;
§  A revitalização do sistema de saúde publica Lunda Tchokwe;
§  A melhoria do ensino e educação;
§  A melhoria do salário da função publica para poder responder;
§  A habitação condigna ao nosso povo;


E o fim das arbitrariedades...