LIGAÇÕES MÁFIOSAS
ANGOLA-RUSSIA-CHINA-BRASIL –PORTUGAL COM A ELITE GOVERNATIVA ANGOLANA
AS MÁFIAS (1ª PARTE)
Em Angola mesmo antes da independência em 1975, sempre existiram portugueses
mafiosos candongueiros e kamanguistas que fizeram fortunas negociando em
diamantes. Durante estes últimos 40 anos muitos milionários surgiram do dia
para a noite em máfias organizadas quer ao nível governamental ou civil que de
forma corrupta e ilícita fizeram fortunas multimilionárias.
Na sua grande maioria e ao nível governamental o dinheiro foi proveniente de
comissões na compra de armas, e negócios baseados no petróleo, noutros
patamares mais baixos no trafico de diamantes ou na construção civil.
No cimo da hierarquia nobiliárquica estão incluídos o Rei Sol e toda a sua
família, conjuntamente com alguns generais, tais como Kopelipa e Kangamba e ao
nível civil Manuel Vicente e outros figurões pertencentes ás elites que
gravitam na esfera do poder político governativo. Das várias máfias existentes
no país temos a Angolana, Russa, Portuguesa, Brasileira Chinesa e Libanesa as
quais operam em mercados diferentes mas todos elas à margem das leis, tendo até
ultimamente os chineses enveredado por sequestros onde exigem resgates, roubos
e assassinatos, criando um clima de insegurança generalizado.
No cimo do organograma político e mafioso mais rentável temos a China, a qual
em colaboração com membros do governo angolano nas negociatas petrolíferas
sonegam ao povo angolano milhões de dólares em “luvas” para enriquecimento
próprio.
O negócio das armas com o Russos já foi mais rentável do que é hoje, pois
Angola está bem fornecida e o clima de paz ajuda a que os gastos com a compra
de armamento já não sejam tão vultuosos. Contudo na Primavera de 2009 decorreu
em Paris um julgamento sem acusados angolanos, mas entre os 40 arguidos
figuravam personalidades algumas de primeiro plano da vida política Francesa.
Nestas negociações da venda e
compra de armamento russo feita pelo Governo Angolano a Falcone e ao seu sócio,
o franco-russo-israelita-canadiano Arcadi Gaydamak, em território Francês sem
autorização deste Governo o que deu origem a investigações e mais tarde a um
julgamento.
Nas audiências do 'Angolagate', o tribunal revelou somas em dinheiro
estonteantes: Só o Presidente angolano José Eduardo dos Santos e seus próximos
terão recebido à volta de 140 milhões de dólares.
Muito embora tivesse ficado provado que 80 milhões de dólares tivessem sido
distribuídos pelo franco-brasileiro-angolano Pierre Falcone estes contemplaram
José Eduardo dos Santos, sua família e a personalidades muito próximas do
Presidente angolano. Contudo estes valores não foram incluídos pela acusação no
julgamento.
A soma, depositada inicialmente em bancos luxemburgueses, está ligada à
renegociação da dívida angolana à Rússia em negócios de fornecimento de
armamento nos anos 90, As transferências foram, no entanto, citadas no âmbito
das relacionadas com a venda de armas Em 2004, numa entrevista Pierre Falcone
confirmou ter aberto duas contas de "sobrevivência” no valor de muitos
milhões de dólares para casos de urgência" relacionadas com a renegociação
da divida angolana à Rússia, dizendo: "Eram fundos secretos postos à
disposição do Governo, e outra foi um empréstimo pessoal e particular – quando
a guerra estava num momento crucial e eu quis ajudar".
É óbvio que essas duas contas não passavam de dois grandes sacos azuis, tendo
na altura, Falcone confirmado que, com os juros, uma das contas atingiu mais de
50 milhões de dólares.
Todos nós sabemos que estes valores eram provenientes de comissões pagas ao
governo angolano pelas negociatas feitas com a venda de armamento. No que diz
respeito ao 'Angolagate', o tribunal evocou um total de 54 369 milhões de
dólares transferidos, alegadamente, em benefício de Eduardo dos Santos e de
diversos outros angolanos. Segundo a acusação, o dinheiro destinado ao
Presidente angolano teria ido parar a contas em nome de uma sua filha e de uma
sociedade do Panamá.
Além das transferências, o tribunal citou ainda prendas diversas a Eduardo dos
Santos e outros angolanos num valor global de 4,26 milhões de euros. Entre as
prendas figuram, por exemplo, um carro blindado no valor de 350 mil euros para
o Presidente, despesas em grandes hotéis, aluguer de iates, pagamentos a
acompanhantes femininas de luxo para entreter personalidades angolanas,
relógios e carros de luxo.
Estima-se que hoje em dia vivam em Angola mais de 500 mil chineses, como
resultado das contrapartidas que regime dictatorial e repressivo que José
Eduardo dos Santos concedeu á China pelos empréstimos contraídos a este país
pelo negociador oficial do Governo Angolano o general Hélder Vieira Dias
(Kopelipa) Foi o Kopelipa que teria sido subornado com $34 milhões de dólares
para a assinatura dos acordos em nome de José Eduardo dos Santos bem como
Manuel Domingos Vicente que teria igualmente recebido cerca $23 milhões de
dólares.
Algum desse dinheiro que Kopelipa recebeu serviu para comprar uma mansão no
Algarve com 8 suites, 6 quartos, sala de cinema, ginásio, piscina interior e
exterior, elevador, garagem para 6 carros, aquecimento central, tectos e
paredes interiores em vidro, jacuzzi, banho turco, banheiras e lavatórios em
mármore, sistemas de alarme, segurança e vídeo da última geração.
A decoração foi feita pelos melhores decoradores portugueses e estrangeiros que
demoraram 8 meses a completar o trabalho. Se fosse possível ver as fotos que eu
vi numa revista de decoração internacional ficariam estupefactos com o tamanho
da casa, luxo e riqueza nela investidos. O dono não é um corrupto de meia
tigela mas sim um angolano que é igualmente dono de vinhas no Douro e de acções
em vários bancos portugueses, que tudo isto conseguiu com o ordenado miserável
de general pago na moeda nacional em kwanzas.
Um outro general mafioso é Bento Kangamba, em Junho deste ano o jornal La
Provence noticiou que a polícia alfandegária francesa tinha apreendido perto de
3 milhões de euros encontrados no porta-bagagem de dois mercedes de matrícula
portuguesa, tendo detido 5 indivíduos de nacionalidade portuguesa, angolana e
Cabo Verdiana, acusados de branqueamento de capitais e crime organizado. Na
sequência, transportados em automóveis saídos de Portugal com destino ao Mónaco
quatro indivíduos apresentaram-se na esquadra de Montpellier para libertar os
ocupantes detidos na primeira viatura e recuperar o dinheiro apreendido.
Bento (Kangamba) afirmou que as apostas nos Casinos do Mónaco são muito
elevadas podendo chegar a gastar 10 mil euros em poucos minutos e por isso a
enorme quantidade de dinheiro que levava consigo, para pagar as suas férias e a
dos amigos que consigo levava.
Estas afirmações foram corroboradas por José Francisco conhecido na gíria como
Chico (Kamanguista), pelas elevadas quantias de dinheiro que usualmente
transportava para a compra e venda de diamantes. A investigação acredita que os
criminosos movimentaram cerca de 45 milhões de dólares, (14.7 milhões de euros)
com o tráfico internacional de mulheres, nos últimos 6 anos.
Na parte angolana do caso, as mulheres eram aliciadas e contratadas em casas
nocturnas de S.Paulo no Brasil pelos membros da rede que oferecia 10 mil
dólares, (7.290 euros) para que elas se prostituíssem por uma semana em Angola.
Nesse mesmo mês o General Bento Kangamba passou 4 dias em Barcelona onde o
Presidente José Eduardo dos Santos também se encontrava em visita privada.
Após a sua saída precipitada de Mónaco, onde se encontrava com uma corte de 20
amigos o general e dirigente do MPLA regressou a Portugal. Entre os documentos
apreendidos ao Chico Kamanguista, a polícia Francesa encontrou documentos
pessoais de transacções de diamantes entre Angola, Suíça e Israel. Nessa mesma
ocasião o general feito á custa de milhares de estropiados pela guerra em
Angola com a qual enriqueceu, foi também notícia por ter comprado uma casa no
mesmo condomínio privado do internacional português Ronaldo em Madrid, por
vários milhões de dólares.
Em Portugal este General feito a martelo e sobrinho de José Eduardo dos Santos
é o principal patrocinador do Clube do Vitória de Guimarães, que aliás tem as
iniciais B.K estampadas nas camisolas. As autoridades Brasileiras têm pouca
esperança na detenção de Bento Kangamba e dos seus comparsas especialmente de
Carlos Silva representante de Kangamba em Portugal.
Bento Kangamba escapou á detenção em França invocando imunidade diplomática, na
qualidade de membro da Casa de Segurança do Presidente da república, no
gabinete dirigido pelo General Manuel Hélder Vieira Dias “KOPELIPA” outro caga
milhões. José Eduardo dos Santos e o seu ex. colega de estudo numa das
academias militar da ex-KGB na Rússia, o Sr. Xu Jinghua, terão repartido mais
de $150 milhões de dólares num negócio monopolista engendrado por estas duas
tenebrosas personagens, Dos Santos e Xu Jinghua.
O Chinês era o único intermediário autorizado da venda do petróleo angolano ao
governo chines. Este comprava o barril `a $65 dólares e revendia ao preço
diário do mercado que na altura rondava os $105 dólares por barril. Se
subtrairmos $65 custo de venda de $105 teríamos como resultado o lucro de $40
por cada barril.
Agora resta saber quantos barris diários eram vendidos ao governo chinês. Só
que agora em tempo de vacas magras com o petróleo ao preço de $45 por barril
nos mercados internacionais, as tetas da vaca negra angolana secaram e esse
belo “NEGÓCIO DA CHINA” terminou.
Todos estes negócios escuros entre máfias são segredos de estado e muito
dificilmente alguém virá a saber como estas colossais fortunas entre angolanos
e chineses foram feitas. Contudo, o esquema da máfia russo-chinesa em Angola
tornou-se no salva-vidas do regime de Eduardo dos Santos: os ex-agentes do KGB
Arcadi Gaydamak, Lev Leviev criaram um sistema de segurança nas minas de
diamantes angolanas cujos lucros são partilhados entre o presidente, sua
família, genro, comparsas mais directos, e a gigantesca empresa russa de
mineração de diamante, ALROSA SA. Como resultado, os russos ocupam-se do que se
refere a minerais preciosos entre os quais diamantes, e os chineses sugam o
petróleo.
Nesta Santa Aliança entre o governo angolano do MPLA e as sanguessugas,
carraças e vampiros que se alimentam das riquezas do povo angolano que vive na
indigência, que se acautelem pois no dia que se der o reviralho, bem faltarão
postes e candeeiros para enforcar todos estes corruptos filhos da puta. Os mais
de 500 mil chineses em Angola servem de escudo, proteccionista e garantia da
continuação do Rei Sol no poder. Os russos e chineses fornecem
contra-inteligência sofisticada, garantindo segurança nas minas e poços
petrolíferos.
A maior parte destes chineses foram soltos das prisões chinesas e desterrados
para reciclagem nos contentores do lixo chines instalados em Angola. Esta
escumalha chinoca sob liberdade condicional cumpre as suas penas de
reabilitação social fora do país, ao invés de o fazerem na China, usando Angola
como o escarrador do governo chinês, para onde cospem e vomitam a trampa de
indesejáveis que não querem que contamine a população chinesa saudável.
Muitos desses indivíduos têm formação profissional e académica limitada e os
mais instruídos são oriundos da antiga colónia portuguesa de Macau, e são
colocados como agentes de contra-inteligência chinesa em sectores estratégicos
da China em Angola.
Devido á sua rápida integração pela faculdade linguística portuguesa que
possuem infiltram-se com facilidade na sociedade angolana. Apresentam-se como
vizinhos, comerciantes, amigos, mas no final do mês enviam informações e
relatórios para a China sobre a insatisfação politica que cresce na população
angolana contra o MPLA e Governo, bem como tudo aquilo que seja pertinente ao
governo chinês saber sobre o quotidiano angolano.
O engraçado em tudo isto é que todos estes milhares de chinocas estão em Angola
através da China-Sonangol, que faz parte da 88 Queensway, cujo proprietário é o
Sr. Xu Jinghua. Fazem também parte da 88 Queensway grupo a Endiama Sonangol,
China Sonangol Finance International LTD. China Sonangol Gas International Ltd.
China Sonangol International Ltd. China Sonangol International Holding Ltd.
China Sonangol Natural Resources International Ltd., China Sonangol
International Investment Ltd., China Sonangol Natural Resources International
Ltd.
Sonangol Sinopec International Ltd, China Endiama International Limited, China
Sonangol Singapore, China Sonangol Shanghai Petroleum co ltd, China Sonangol
Wall Street, China Sonangol International Airlines, Endiama China International
Holding Ltd, etc.
E pergunta-se: como e' possível um Xu Jinghua que de 81 a 94, quando era apenas
um simples oficial operativo da contra-inteligência chinesa em Angola, que
esteve mergulhado no trafico de armas para o regime de Eduardo dos Santos,
apareça agora como proprietário multibilionário que se gaba entre amigos mais
próximos de possuir bens imobiliários no valor de 36 biliões de dólares em
Angola.
(CONTINUA)
MÁFIAS (2ªPARTE)
E mais ainda, Xu Jinghua vem `a Luanda buscar mensalmente sacos de diamantes
avaliados em mais de 56 milhões de dólares, mas qual o seu destino ninguém
sabe. Os russos são os que mais protecções oferecem ao regime de Dos Santos,
fornecem armamentos militares, informações de contra-inteligência civil ou
militar, e formam a maioria dos quadros militares angolanos.
A Rússia controla o sistema de comunicação, ou seja toda a comunicação com
Angola passa por Moscovo e sai dai para o mundo inteiro e vice-versa. Uma
chamada telefónica de Lisboa para Luanda, passa primeiro por Moscovo e depois
dai é' que vai par de Angola.
Tudo isso graças ao serviço da Angosat cujo centro de controlo está em Moscovo.
O serviço da protecção de Eduardo dos Santos é feito por russo-israelitas,
muitos dos quais são ex-agentes do KGB. Trabalham directamente com Kopelipa,
Isabel dos Santos, Ana Paula dos Santos, etc. Quando estão de viagem no
exterior, são os russo-israelitas que os protegem e oficiais superiores da
contra-inteligência angolana acreditam que a filha do presidente pertence aos
serviços secretos russos.
A filha do presidente tem muito mais poder do que qualquer membro do governo ou
Bureau Politico do MPLA. Infelizmente não foram só as milionárias linhas de
crédito da China que chegaram a Angola, com elas chegaram também gangues de
chineses que operam a níveis criminais básicos os quais apostam num tipo de
crime que ganha cada vez mais dimensão, ou sejam os raptos para pedidos de
resgate e chantagens proteccionistas.
A situação agravou-se de tal forma que a China viu-se obrigada a enviar agentes
dos serviços de informação para ajudar as autoridades angolanas na repressão e
detenção destes criminosos. Outro caso visou o engenheiro português Carlos
Martins, cujo carro foi emboscado nas imediações do Cacuaco, à saída da fábrica
Vidrul.
Martins não ganhou para o susto, e o técnico francês que o acompanhava,
aterrorizado, no dia seguinte apanhou o avião e foi-se embora. Depois do
sequestro, durante três dias, de um francês, funcionário da multinacional
Maerks, também a embaixada da França desaconselhou os membros da sua comunidade
a circular pela Via Expresso, ou apenas a fazê-lo escoltados.
Em Angola a “camanga” ou seja o negócio ilegal de diamantes sempre envolveu
portugueses, mais tarde russos, chineses, angolanos e libaneses. Durante a
guerra civil angolana Savimbi conseguia manter a sua logística com os
fornecimentos de mantimentos, armas ligeiras munições, medicamentos, através de
portugueses estabelecidos na Namíbia como grandes armazenistas que eram pagos
em diamantes.
A pista de aviação do galo negro no leste de angola recebia frequentemente as
visitas de intermediários internacionais na venda de armas que voavam em aviões
ligeiros para negociarem com Savimbi os quais eram igualmente pagos em
diamantes. Em 1978-1979, o comércio ilegal de diamantes estava nas mãos da
organização "Grupo Caravela". Em linguagem moderna, isso chamar-se-ia
um grupo criminoso organizado.
A sede ou "protecção"
era a empresa "Pérola de Bengo", propriedade de João Baptista, que,
juntamente com Joaquim Rocha, dirigia toda a actividade da empresa. O
transporte de diamantes ou "mercadoria" era feito pelo piloto
Fernando Mendes da Silva, conhecido pela alcunha de "Colorau". Ele
transportava também o dinheiro, exclusivamente em moeda estrangeira, recebido
dos compradores. Nos finais de 1980 e início de 1981, regressou de Portugal a
Angola Eduardo Alcouce, que criou na capital, juntamente com Rocha, a empresa
respeitável "Actimel", um bom disfarce para a candonga.
Em 1982, em Portugal formou-se o "Diamante Clube de Portugal", que se
tornou, no fundo, um sindicato para controlar o mercado de diamantes. Em
Angola, além do "Grupo Caravela", apareceu um segundo grupo, ligado
ao clube diamantífero português, com sede em Luanda.
Tratou-se da empresa "Stand Univendas", dirigido por António
Gonçalves da Costa, conhecido pela alcunha de "Fúria". Ambos os grupos
estabeleceram laços fortes nos mercados diamantíferos tradicionais europeus. Os
diamantes para os países europeus eram transportados por pilotos da companhia
aérea angolana TAAG. Depois, eram enviados para a Bélgica, onde a venda da
mercadoria era feita por Serge Honig, Adolf Berg, um tal Roberto e outros.
Na própria Angola, os contrabandistas criaram uma séria de casas de câmbio. As
despesas dos exploradores e dos especuladores de diamantes no interior do país
eram pagas em moeda local e o valor do dólar no mercado negro era tal que o
câmbio era mais uma forma dos grupos criminosos organizados terem lucro.
Não obstante a concorrência, os grupos entendiam-se no cumprimento do código
comercial da honra. Por exemplo, eles informavam um ao outro as quantias e a
envergadura das operações a fim de evitar fugas de "mercadoria" do
sistema. Do outro lado, os compradores belgas não adquiriam diamantes que não
fossem dos vendedores do "sistema".
Por exemplo, quando os comerciantes independentes Zeca Sibéria e Toni Calles,
depois de chegarem à Bélgica, tentaram vender diamantes das minas angolanas,
ladeando os intermediários portugueses, ofereceram-lhes um preço quatro ou
cinco vezes inferior ao que os diamantes eram comprados às companhias
monopolistas. A rede ligada ao "Clube Diamante" estendia-se até ao
Zaire, para onde os diamantes eram transportados por condutores de camiões
através da fronteira na província Lunda Norte. Porém, em 1983, a harmonia foi
destruída pelo aparecimento de mais uma rede independente das duas primeiras.
Tratava-se da rede de Luís Barria Sousa da Silva, nascido na província do Bié,
que tinha fugido, depois da proclamação da independência, para a Namíbia, onde,
segundo dados da segurança de Estado angolana, colaborou com os homens da
UNITA. Luís da Silva, em 1982, foi para Portugal, criando aí uma poderosa
empresa de "encaminhamento de diamantes" com ligações em Espanha e
Bélgica. Esta rede de representantes mais jovens, dinâmicos e agressivos do
mundo "camanguistas", que começou a atrair as pessoas necessárias de
outros grupos.
Eles infiltraram também dois agentes nos grupos concorrentes do tráfico
diamantífero para os estudar com vista à desintegração desses grupos.
Os "camanguistas" do
Silva estabeleceram negócios com embaixadas de uma série de países. Eles
recebiam os diamantes directamente das minas das províncias setentrionais do
país, ladeando a corrente de intermediários. Tal como os dois primeiros grupos,
foram criadas casas de câmbio ilegais para trocar moeda convertível pelos
quanzas locais. Os pilotos portugueses da companhia aérea TAAG, Artur Pereira e
Rui Cardoso, garantiam o transporte dos diamantes para Portugal.
Parte significativa dos diamantes, por caminhos trilhados, ia para o Zaire, e
daí, o piloto José Marques dos Santos, no avião da companhia aérea portuguesa
TAP, trazia-os para Portugal. Com os esforços dos órgãos de segurança do
Estado, com o apoio de conselheiros do KGB, todos os três grupos de
"camanguistas" foram desmantelados. A maioria dos participantes foi
detida e julgada pelo tribunal popular de Angola. A companhia de extracção de
diamantes "Diamang" calculou o prejuízo causado pelos três grupos de
traficantes de diamantes numa quantia comparável a alguns biliões de dólares.
A direcção de Angola dedicou enorme atenção ao processo dos traficantes de
diamantes. Segundo os investigadores dos órgãos de segurança, tão grande
contrabando de diamantes não podia existir eficazmente sem amplas ligações
corruptas na direcção politica e governativa do país.
Mas nenhum dos altos funcionários apareceu no processo, embora seja do domínio
público que o ministro Defesa, Iko Carreira estivesse envolvido bem como o
angolano Fernando Fragata jogador da selecção de hóquei em patins. Fragata foi
recrutada em Lisboa pelo agente secreto americano Raul Dias. Na capital de
Angola, Fragata tinha o arquivo, o transmissor e cifras do antigo cônsul
americano em Luanda. Ele tinha dinheiro suficiente para realizar trabalho de
espionagem, incluindo dólares americanos.
Por todos os crimes, que, além de espionagem, incluía tráfico de diamantes,
Fragata foi condenado à morte. Depois a sentença da parte da acusação pelos
crimes contra a segurança do Estado, foi suspensa devido à necessidade de maior
investigação. Fragata cumpriu, por tráfico de diamantes, a pena de seis anos de
prisão no campo de concentração de Bentiaba.
Assim terminou o processo sobre o contrabando de diamantes em grande
envergadura de Angola para a Europa. A galeria de corruptos milionários não
para de crescer na Republica de Angola, multiplicam-se como metástases
cancerosas que só com a sua ablação por métodos revolucionários se conseguirá
voltar a sanear Angola desta enfermidade que a consome de forma terminal.
17-9-2016
Por : Jose Antonio Canhoto, em Ponto final