GOVERNO ANGOLANO NÃO SABE COMO RESPONDER A USURPAÇÃO QUE FEZ DA NÃÇÃO LUNDA TCHOKWE.

HÁ MAIS DE 229 DIAS (EM 2013/2014), O MOVIMENTO DO PROTECTORADO, ENTREGOU UM DOSSIER AOS ORGÃOS DE SOBERANIA COM CARACTER AUTONOMO DO ESTADO ANGOLANO: PRESIDENCIA DA REPÚBLICA (PODER EXECUTIVO), ASSEMBLEIA NACIONAL (PODER LEGISLATIVO - MPLA, UNITA, CASA-CE, PRS E FNLA) E OS TRIBUNAIS (PODER JUDICIARIO - TS, PGR, TC E PROVEDOR DE JUSTIÇA), PARA SE PRONUNCIAREM SOBRE A QUESTÃO LUNDA TCHOKWE 1885-1894/2014 A SUA AUTODETERMINAÇÃO, NENHUM ORGÃO AINDA SE PRONUNCIOU, QUEM CALA CONSENTE, A NOSSA LUTA É JUSTA, AS NOSSAS ACÇÕES SÃO LEGAIS…

sábado, 29 de Janeiro de 2011

A PAZ CHEGOU, MAS CONTINUAMOS A SOFRER (1)


A Luta para o desenvolvimento deve continuar com todos os sectores da sociedade civil organizada para acabarmos com miséria e o subdesenvolvimento





“A paz chegou, mas continuamos a sofrer”[1]

A paz chegou, mas continuamos a sofrer, porque não temos acesso a água potável, posto de saúde, escola para os nossos filhos, transporte para levar o nosso bombo para o Luena e a estrada está em mau estado. Estas palavras do Soba Chilunda rasgaram o meu coração na manhã do dia 26 de Janeiro de 2011.

A comunidade de Kavimbi fica a 137 km do Luena, a capital da província do Moxico e 37 km da sede comunal de Kangumbe. A zona é rica em madeira, cera e mel com uma paisagem invejável. Para além do cultivo de milho também cultivam a mandioca. A via de acesso é semelhante a que liga as localidades do Kuito Kuanavale para Mavinga – província do Kuando Kubango, picadas com muita areia que forma trilhos e com muitos buracos. Praticamente é estrada que está nos buracos e não os buracos na estrada.

As mulheres e as crianças de Kavimbi são as mais sacrificadas pois buscam água numa distancia de 5 km numa mata fechada, o que constitui um grande calvário. Nos meses passados duas crianças morreram pelo caminho na via Kavimbi – Kangumbe, quando os pais procuravam pelos cuidados médicos no único posto de saúde existente na zona em Kangumbe.

Na véspera do inicio do ano lectivo 2011 as crianças e professores clamam por uma bola de futebol e cinco quadros para escrever. As mulheres reclamam que pagam Akz 2.000,00 pelo saco de bombo e mais Akz 1.000,00 da passagem por pessoa, o que é muito caro para a realidade daquelas populações.

Num diagnostico rural participativo – DRP feito com a comunidade de Kavimbi, dividindo as pessoas em grupos de crianças, jovens, mulheres e homens, recorrendo a votação das principais necessidades utilizando grãos de milho e de feijão escolheram a agua como prioridade numero um com 115 votos, a construção da escola com 69 votos e a construção do posto de saúde com 56 votos.


O Senhor Nito Franga é o Administrador Comunal de Kangumbe, que com muita dedicação e governação participativa procura encontrar soluções para estas e outras necessidades ora mencionadas. Admira-me o facto de uma mulher ter sido a primeira a falar sobre as necessidades da comunidade da presença dos sobas e do Administrador, uma clara indicação de que este Governante prima pelas relações horizontais.

O nosso compromisso enquanto IECA no Moxico e ajudar esta comunidade a ter uma bola, os quadros para a escola e construir um sistema de agua que não vai custar menos de USD 50.000,00.

A partir mesmo daqui do Luena onde me encontro já conseguimos contactar a Direcção Provincial de Energia e Aguas, a Federação Luterana Mundial, a UNICEF, a Dan Church Aid – DCA e pessoas singulares engajando vários actores na empreitada.

Quem poder ajudar com o que tem para contribuirmos para que as irmãs e irmãos de Kavimbi tenham a Paz que o Soba Chilunda clamou em nome da comunidade.

By: (LS)

Luena, Moxico

Janeiro 29, 2011


[1] Palavras do Soba Chilunda na aldeia de Kavimbi, Kangumbe-Moxico, Angola